sábado, 9 de março de 2013

Pequena tese, poética e ligeiramente maricas sobre um instante cheio de nada.

Estar emocionalmente confuso é para mim e por mim considerado um estado de alma crónico da natureza humana. É complexo. Por isso às vezes, fico fora. Fico sozinho e fumo um cigarro. A minha expressão apática encobre o prazer que sinto.
Levanta-se suave, um vento frio que desliza sobre a pele nua do meu pescoço e naquele momento, o que sinto é apenas alivio. Não sinto além o ruído. Não sinto o estômago vazio. Não sinto o frio. Não sinto.
E às vezes fecho os olhos, inclino a cabeça para cima, para o infinito, e minto. Convenço-me a mim próprio que consigo. E sigo, deixo o sombrio, o fugaz, o efémero. Sigo para frente. Porque ando para a frente. Porque encaro de frente.
Em frente, sempre.


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